quinta-feira, 14 de abril de 2011

UMA TENISTA ESTILOSA NÃO?!


Tenista Serena Williams inova mais uma vez na roupa em quadra

Famosa pela criatividade nas roupas que usa nas quadras, Serena Williams retornou ao tênis com um modelito, no mínimo, inusitado. Com um corpo escultural, a tenista ousou ao aparecer com um macacão pink que deixava apenas as suas mãos à mostra. Com 13 títulos de Grand Slam, Serena está fora do tênis há dois meses, quando teve detectada uma embolia pulmonar.

Agora de volta aos treinos, ela resolveu divulgar seu modelito por meio de seu twitter (@serenawilliams). A cor da peça - que faz um belo contraste com a pele negra de Serena - já seria suficiente para chamar a atenção. Mas a tenista não se contentou apenas com 'brilho' e destacou a suas curvas com um modelito completamente colado ao corpo. A dúvida que fica é: como será que ela vestiu a peça?

FONTE: http://br.esportes.yahoo.com/colunas/tenista-serena-williams-inova-mais-uma-vez-na-roupa-em-quadra-esportes-1572.html

Felicidades ao nosso querido Chico Anysio

Dia 12 de Abril foi dia de comemorar e celebrar o niver do nosso grande humorista Chico Anysio. O mesmo se recuperou de 110 dias de internação, e completou na terça-feira (12) 80 anos.
Por esta data especial, o site Famosidades reuniu fotos de alguns de seus 200 personagens, entre eles Painho, Professor Raimundo, Alberto Roberto, para que você mate um pouco as saudades do humorista brasileiro.

Confira nas próximas páginas!




sexta-feira, 8 de abril de 2011

U2 Sunday Bloody Sunday - Music Video HD Lyrics



U2 É TUUUUUUUUUUUUUUUDO DE BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOM

Banda U2 de olho nas ações contra a pobreza no Brasil

Dilma almoça com banda irlandesa U2 em Brasília
Vocalista Bono Vox afirmou que pretende conhecer as ações do governo do Brasil na área de combate à pobreza

Presidente Dilma recebe o líder e vocalista da banda irlandesa U2 Bono Vox
A banda irlandesa U2 chegou no final da manhã desta sexta-feira (8) ao Palácio da Alvorada, em Brasília, onde almoçou com a presidente Dilma Rousseff. Em parte do encontro com a presidente, aberto para registro de imagens, o vocalista e ativista social Bono Vox lamentou a tragédia na escola em Realengo, no Rio de Janeiro, comentou sobre programas de combate à aids, que apoia, e falou até da lei brasileira da Ficha Limpa.

Bono disse para Dilma que todo presidente deveria priorizar o combate à pobreza. Ele afirmou que pretende conhecer as ações do governo do Brasil na área. Do lado de fora, na portaria do Palácio da Alvorada, um pequeno grupo de fãs gritava o nome do vocalista e da banda, quando o grupo chegou para o encontro com a presidente.

por Leonencio Nossa - 8/04/2011 - 13:50
Antonio Cruz/ABR

Violência nas escolas. Até quando?

Sobre o massacre que ocorreu no dia 07 de Abril de 2011, na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, entra em discursão um assunto que vira e mexe é debatido, questionado, e até mesmo votado como aconteceu no blebiscíto contra o desarmamento no Brasil, mas o assunto em questão é até quando a população como sociedade civil, vai sofrer com a violência? e ainda mais preocupante, como será combatido qualquer ato de violência dentro das Escolas? No Brasil e no mundo esta ação está a cada dia mais aumentando,sendo este um problema muito complexo.
Questões: desarmamento,segurança,apoio psicológico,qualidade de vida,e etc.
Violência e sociedade
Num qualquer dicionário de português, o termo violência é descrito como uma "qualidade ou estado do que é violento; força empregada contra o direito natural de outrem; acção que se faz com o uso da força bruta; crueldade; força; tirania; coacção". Neste sentido, a violência significa obrigar a fazer algo, utilizando a força, a coagir alguém.
Desde sempre o Homem exerceu e foi alvo de violência. Recorde-se a bíblia que retrata uma série de crueldades das quais Jesus Cristo foi vitima; enforcamentos em praça pública; homens que lutavam até à morte nos coliseus para deleite da assistência; a Santa Inquisição que vitimou inúmeras pessoas, o nazismo e as excessivas guerras que povoam a história da humanidade.
Vários autores têm tentado explicar as causas deste fenómeno. Freud é da opinião que o Homem tem uma predisposição inata para a violência, nasce e cresce num ambiente violento, porque também a sociedade é violenta.

Anna Freud (1987:162) alude ao facto de o equilíbrio interno ser perturbado, da personalidade, do meio onde se inserem. Estudos realizados a delinquentes comprovaram que graves distúrbios da socialização acontecem quando a identificação com os pais é desintegrada através de separações, rejeições e outras interferências com os vínculos emocionais existentes entre a criança e as figuras parentais. Reforça ainda que o cidadão normal, perante a lei, perpetua a posição infantil de uma criança ignorante e complacente, em face aos seus pais omniscientes e omnipotentes. O delinquente perpetua a atitude da criança que ignora ou menospreza, ou desobedece à autoridade parental e actua em desafio desta.

Durkeim é da opinião que a densidade demográfica, o desenvolvimento econômico, social e cultural de uma sociedade fomentam as desigualdades e consequentemente os desvios à norma.
Por outro lado, Arregi Goenaga (1998:50) é da opinião que avançando no caminho da igualdade, da solidariedade, pode a sociedade observar um decréscimo da violência em geral.
As crianças assistem a desenhos animados televisivos nas quais as personagens utilizam a violência para conseguir os seus intentos, por vezes são actos nobres tais como salvar um amigo em perigo ou para salvar o planeta. O poder de sedução da televisão e a capacidade de imitação das crianças formam uma cumplicidade que pode actuar perigosamente na formação cognitiva destas. Neste sentido, Pino Juste (1998: 133) é da opinião que para estas crianças a violência é "algo normal", utilizam-na como "arma quando consideramzque ela é eficaz para conseguir os seus propósitos".
Qualquer indivíduo é passível de exercer actos de violência, uma vez registada uma ruptura com a normalidade. No entanto, num indivíduo que não tenha patologias associadas, após a ruptura, retorna ao estado de acalmia e é reposta a sua normalidade interior.
A violência pode ser revestida de diversas formas, mas num sentido restrito, pode ser definida como uma ruptura brusca da harmonia num determinado contexto, podendo ser sob a forma de utilização da força física, psíquica, moral, ameaçando ou atemorizando os outros.
A violência pode igualmente ser considerada de âmbito público ou de âmbito privado. A primeira é mais visível, influi e distorce a imagem da sociedade. É a que mais preocupa o Estado, pois é geradora de polémica. A segunda é mais recôndita, como é o caso da violência familiar, com o cônjuge ou com os descendentes.
A violência pode ainda ser de génese estrutural ou de génese conjuntural, sendo que a primeira afecta uma parte significativa da população e várias instituições. A violência estrutural é congénere a uma doença crónica, pois é instalada numa parte da sociedade e vai criando metástases por toda a sociedade. A sua cura reside numa planificação eficaz, coordenada entre as instituições para solucionar a problemática em questão. A violência conjuntural regista-se em momentos ocasionais e mesmo que não se vislumbre uma solução, com o passar do tempo é esmorecida. Os motins de população descontentes com as portagens ou traçados de auto-estradas são exemplos de violência conjuntural.
No fundo, os actos violentos estão sustentados por valores, crenças, sobre o bom e o mau de uma acção que força o indivíduo a operar de acordo com essa convicção.

A violência nos jovens como inadaptação social
Um acto violento só é de facto um problema se a maioria da sociedade o considerar que o é, ou seja, se for tipificado e reconhecido como tal.
A violência é na sua maior parte protagonizada pelos jovens, que se agrupam, formando sub-culturas, habitualmente no seio do tecido urbano, adquirindo formas de vestir, agir ou pensar muito características. Os hippies, os rockers, os skinheades, entre outros são exemplos bem conhecidos de grupos inadaptados aos padrões da sociedade.
Na cultura juvenil podem-se observar características muito comuns, tais como (Arregi Goenaga, 1998:58-59):
A busca de identidade, procurando diferenças contrárias à geração antecedente.
O questionar das ideias nas quais a sociedade se fundamenta na anuência das normas;
Os jovens possuem uma série de capacidades e de ideais para criar e canalizar ideias inovadoras que fazem mudar a ordem da realidade já existente;
Os jovens são os grandes consumidores dos meios informáticos e audiovisuais, sobretudo Internet, jogos por computador, televisão e música. A televisão é um dos meios que mais violência difunde e a criança ou jovem é o sujeito passivo que mais a consome. Muitas crianças vêem televisão e jogam jogos de carácter lúdico duvidoso, sem qualquer supervisão das figuras parentais. Constroem as suas personalidades de acordo com o que observam, com uma total ausência de discernimento do que é certo ou errado;
A carência de bens mínimos como um trabalho, habitação, serviços sociais básicos, nomeadamente a quebra das redes de suporte familiar, sua desagregação ausência de valores essenciais dentro e fora da família, o meio onde vive, a escola que não exerce qualquer tipo de motivação, leva a que determinados indivíduos ou grupos cultivem a agressividade face à sociedade que gerou ou proporcionou deficits tão profundos e que fazem parte das suas vivências quotidianas.
Hebe Tizio (1997:92-102) alude ao facto de vivermos num mundo capitalista, dominado pelo progresso. Este caracteriza-se por uma uniformidade e generalização dos usos, costumes e bens que são amplamente difundidos nos media. A uniformidade gera segregação, competição desenfreada, levando a que indivíduos que não podem ter a qualidade de vida que desejam optem por caminhos menos lícitos.
A inadaptação social é devida à educação deficitária por parte da família ou pelo meio onde o jovem vive (bairro degradado, alcoolismo, droga e tráfico, prostituição, detenção familiar, violência doméstica, furtos, resolução de conflitos com recurso à agressão, precárias condições de vida) fazem com que os jovens adquiram condutas de acordo com o que vivenciam diariamente. São, portanto, jovens com ausência de referências positivas.
António Petrus (1997: 26-29) refere que o conceito de inadaptação social é ambíguo e está amplamente ligado à educação social, na medida em que em sentido lato, esta está ligada à intervenção educativa em âmbitos de marginalização e inadaptação sociais.

A violência na escola
Os meios de comunicação audiovisual, não raras vezes retratam acontecimentos violentos protagonizados pelos alunos nas escolas. De facto, "inverteram-se os papéis; os métodos violentos de alguns professores eram tradicionalmente mais frequentes no mundo escolar: castigo físico, humilhações verbais…" (Fermoso: 1998:85). Actualmente, os professores não podem exercer qualquer tipo de castigo aos alunos sob pena de sofrerem sanções disciplinares, mas e os alunos? Que perfil apresentam os adolescentes que se envolvem em actos de violência nas escolas portuguesas?

Um estudo realizado em 2001 por Margarida Matos e Susana Carvalhosa baseado em inquéritos a 6903 alunos de escolas escolhidas aleatoriamente, com as idades médias de 11, 13 e 16 anos, analisaram a violência na escola entre vítimas, provocadores (incitação na forma de insulto ou gozo de um aluno mais velho e mais forte do que o outro) e outros (similarmente vítimas e provocadores) demonstram os seguintes dados bastante curiosos:

*Mais de metade dos alunos inqueridos são do sexo feminino (53.0%);
*25.7% dos jovens afirmaram terem estado envolvidos em comportamentos de violência, tanto como vitimas, provocadores ou duplamente envolvidos;
*As vítimas de violência são maioritariamente masculinas (58.0%);
*Os inqueridos que se envolveram em comportamentos de violência em todas as suas formas situavam-se nos 13 anos de idade;
*Os jovens provocadores de violência são aqueles que têm hábitos de consumo de tabaco, álcool e mesmo de embriaguez. Também são os que experimentaram e consumiram drogas no mês anterior à realização do inquérito;
*Quanto às lutas, nos últimos meses anteriores ao inquérito, 19.08% dos jovens envolveram-se em comportamentos violentos;
*Os vitimados pela violência, são os que andam com armas (navalha ou pistola) com o intuito da sua própria defesa;
*Os adolescentes que vêem televisão quatro horas ou mais por dia são os que estão mais frequentemente envolvidos em actos de violência;
*As vítimas e os agentes de violência não gostam de ir à escola, acham aborrecido ter que a frequentar e não se sentem seguros no espaço escolar;
*Para os actores de violência a comunicação com as figuras parentais é difícil;
*16.05% das vítimas vive em famílias monoparentais e 10.9% dos provocadores vive com famílias reconstruídas;
*Quanto aos professores, os alunos sujeitos e alvos de violência consideram que estes não os encorajam a expressar os seus pontos de vista, não os tratam com justiça, não os ajudam quando eles precisam e não se interessam por eles enquanto pessoas;
*Em relação ao relacionamento entre grupo de pares, estes adolescentes referem a pouca simpatia e préstimo e não-aceitação por parte dos colegas de turma, a dificuldade em obter novas amizades, ausência quase total de amigos íntimos.

Este estudo vem reforçar a relevância dos contextos sociais dos jovens, aparecendo bem focados como factores desencadeadores de comportamentos violentos a desagregação familiar, a pouca ou inexistente atracção pela escola, o grupo de amigos aliados à posse de armas, consumo de estupefacientes, álcool e tabaco e visionamento excessivo de televisão.

Os comportamentos violentos na escola têm uma intencionalidade lesiva. Podem ser exógenos, ou seja, determinados de fora para dentro, como acontece nos bairros degradados invadidos pela miséria e pela toxicodependência, onde agentes estranhos ao meio o invadem e destroem; pode tratar-se de violência contra a escola, em que alunos problema assumem um verdadeiro desafio à ordem e à hierarquia escolares, destruindo material e impondo um clima de desrespeito permanente; ou são simplesmente comportamentos violentos na escola, que ocorrem sobretudo quando esta não organiza ambientes suficientemente tranquilos para a construção de valores característicos a este local. A violência pode ser desencadeada fruto de muitas situações de indisciplina que não foram resolvidas e que constituem a origem de um comportamento mais agressivo.

Para combater a violência, a escola tem de analisar a forma como é exercido o seu controlo, tem que se organizar pedagogicamente, para conseguir deter a violência não só interior mas também exterior.

Causas da violência
As causas da violência são inúmeras, não sendo fácil fazer uma inventariação de todas. Não existem dados estatísticos concretos acerca do número de jovens actores e alvos de violência, no entanto, o Instituto Nacional de Estatística (INE) apresenta uma tabela onde são detectadas as problemáticas em crianças e jovens, bem como as medidas tutelares aplicadas em processos concluídos em 2001.

No ano de 1998 foram acompanhados crianças e jovens em risco num total de 2.979 indivíduos. Todavia, em 2001 o total de crianças e jovens adolescentes era de 9.504, ou seja, quase que quadruplicou. São ainda apontadas como situações de risco: abandono, negligência, abandono escolar, absentismo escolar, maus tratos, abuso sexual, trabalho infantil, exercício abusivo de autoridade por parte dos pais e outras situações de risco. Como condutas desviantes observadas nos menores, são enumeradas a prática de actos qualificados como crime, uso de estupefacientes e ingestão de bebidas alcoólicas e outras condutas desviantes. De referir que o número destas situações de perigo foram aumentando de 1998 até 2001.

Judicialmente, são descritas as medidas tutelares aplicadas em processos finalizados nos anos citados. Em 1998 as medidas foram num total de 1.619, contrariamente no ano de 1999 em que o número ascendeu às 3.701 medidas, observando-se contudo um decréscimo nos anos subsequentes. Convém ainda sublinhar que a medida tutelar mais aplicada nestes quatro anos foi a de acompanhamento educacional, social, médico e psicológico.
São apontadas como causas da violência:
1.A Família. É neste núcleo que as crianças e jovens adquirem os modelos de conduta que exteriorizam. A pobreza, violência doméstica, alcoolismo, toxicodependência, promiscuidade, desagregação dos casais, ausência de valores, detenção prisional, permissividade, demissão do papel educativo dos pais, etc., são as principais causas que deterioram o ambiente familiar. Normalmente, os indivíduos que vivem estas problemáticas familiares são sujeitos e alvos de violência. Há famílias que participam directamente na violência que ocorre nas escolas. Impotentes para lidarem com a violência dos seus descendentes, acusam os professores de não «domesticar» os seus filhos, instigando a agressividade e, em extrema instância tornam-se eles mesmos violentos, agredindo os professores e funcionários;
2.Os alunos. O que faz com que um aluno exerça violência? Muitas vezes a raiz do problema não se centra na educação. O jovem apresenta problemas que deveriam ser direccionados para a saúde mental infantil e adolescente, para a protecção social ou até judicialmente. O cerne da questão é que muitas escolas tentam resolver os problemas para os quais não estão preparadas e que não são da sua competência. Na verdade, todos os alunos são potencialmente violentos, sendo a escola sentida como uma imposição por parte da família ou do Estado. Porque os alunos estão contrafeitos, as aulas são para eles locais de constrangimento e de repressão de desejos. Alguns alunos conformam-se e conseguem permanecer na escola sem fazerem grandes distúrbios. Outros revoltam-se, colocando em causa as normas estabelecidas, a autoridade e insurgem-se contra os professores e colegas como acto de poder e robustez física.
3.Os grupos e turmas. Enquanto conjunto estruturado de indivíduos, têm fulcral importância nos processos de socialização e de aprendizagem nos jovens. Influenciam certos comportamentos que os adolescentes demonstram, sendo o resultado de processos de imitação de outros membros do grupo. Em certas manifestações públicas de violência, os jovens procuram obter segurança, respeito e prestígio pela restante comunidade escolar. Numa sociedade onde os grupos familiares estão cada vez mais desagregados, este vazio é preenchido por estes grupos formados a partir de interesses e motivações diversas.
4.A escola. No passado, e ainda hoje se regista, alunos com menos capacidades intelectuais são estigmatizados, esquecidos no fundo das salas de aula. Ao fazê-lo, criam focos de revolta por parte daqueles que legitimamente se sentem marginalizados. A escola de hoje, que se auto-intitula de inclusiva, não o é de facto.

A este propósito Jacques Delors (1996: 48) aconselha os "sistemas educativos" a não conduzirem,
"por si mesmos, a situações de exclusão. O princípio de emulação, propício em certos casos, ao desenvolvimento intelectual pode (…) ser pervertido e traduzir-se numa prática excessivamente selectiva, baseada nos resultados escolares. Então, o insucesso escolar surge como irreversível, e dá origem, frequentemente, à marginalização e exclusão sociais."

Na realidade as escolas não estão preparadas para enfrentar a complexidade dos problemas actuais, designadamente os que se prendem com a gestão das suas tensões internas. A crescente participação dos alunos, pais, entidades públicas e privadas nas decisões tomadas nas escolas, tornou-se uma fonte de conflitos e não raramente terminam em situações de descontentamento e de agressividade. As associações de pais, quando funcionam, encaram muitos dos professores como incompetentes que aproveitam todas as ocasiões para se furtarem às aulas e recorrerem à baixa por doença, para não terem que enfrentar os alunos e os problemas daí adjacentes.
Prevenção da violência
A violência surge em contextos e em situações bem conhecidos. Torna-se imperiosa uma intervenção educativa, não só dirigida aos jovens mas a todos os cidadãos, pois todos, enquanto sociedade global somos culpados e deveremos ser chamados a intervir para contribuirmos para uma sociedade mais justa e igualitária. De acordo com Arregi Goenaga (1998: 60), a violência afigura ser uma rede complexa que se pode sobrevir a partir da educação. Esta é importante pois ensina a criança a adquirir determinados valores tais como a compaixão e a dor alheia, bem como valorizar a vida não só a sua como a dos outros. Já Rousseau afirmava que os Homens não nascem naturalmente maus, a sociedade é que os transforma. De facto, nenhum ser humano nasce violento, ou criminoso, o seu destino não está traçado após a nascença. Os seus comportamentos são fruto do ambiente a que são expostos.
Numa sociedade tecnológica, consumista e competitiva, que valoriza a aquisição de bens de qualquer forma, que só dá oportunidades aqueles que já possuem algo, o comportamento desses jovens poderá ser considerado como adaptativo. A este propósito o aludido "Jornal de Notícias" de 3 de Maio de 2004, relata o caso de um adolescente de 13 anos, que quando o jornalista lhe pergunta o porquê de tanta agressividade, o jovem responde simplesmente: " É assim que a malta vive no bairro". De facto, estes jovens não têm muitas opções, pois o meio onde se inserem, fornece-lhes a aprendizagem necessária para sobreviverem à sua maneira e assumirem atitudes que são observadas nos bairros onde vivem. É imperioso mudar o enfoque sobre a questão da marginalidade, e, consequentemente, sobre os direitos humanos. As medidas tutelares educativas só deverão ser tomadas se outras acções preventivas tiverem sido já executadas e tiverem falido. A solução última não passa somente pela colocação desses jovens em famílias de acolhimento ou lares, esperando que o sistema mude per si.. Não adianta tratar um sintoma sem primeiramente investigar a sua causa. É muito fácil rotular os actores de violência de desequilibrados, de maus, de desestruturados e não fazer nada para alterar estes comportamentos.
Como já se focou anteriormente, a educação deverá registar-se imediatamente à nascença, baseada em valores, normas e modelos de conduta, que serão inculcados no sentido de formar a personalidade do indivíduo.
Vários modelos de intervenção educativa foram aplicados de acordo com o grupo e o meio social envolvente. O citado autor, elucida que este é um campo de acção dos educadores sociais (1998: 62) e por essa razão enumera alguns aspectos que se prendem com o acto de educar como sejam os programas baseados no modelo de conhecimento e de conduta; programas de acções interventivas em relação ao meio (informação e formação sanitária, cívica, segurança, …); programa de educação para a saúde, para a paz, para a convivência, e o programa mais determinante seria a terapia grupal, onde famílias desajustadas poderiam conjuntamente desenvolver projectos de realização pessoal, familiar e mesmo de bairro por ordem a combater os problemas existentes. Nestes programas também estaria a escola, que concomitantemente com a família e as equipas de intervenção lutariam neste trabalho educativo com coerência e contundência. Uma parceria eficaz, desejável, mas talvez utópica.
As equipas de intervenção e as autarquias deveriam fomentar a participação efectiva dos cidadãos como protagonistas do seu próprio bairro, ou seja cidadãos activos e implicados no seu próprio desenvolvimento. Porém, a realidade é que as equipas são constituídas por um número de técnicos insuficientes, que têm a seu cargo inúmeros processos de famílias problemáticas, tentando resolver os problemas com medidas paliativas, que a médio e longo prazo não vão surtir efeitos positivos. A título de exemplo, o Rendimento Mínimo de Inserção (anteriormente designado de Rendimento Mínimo Garantido) constitui uma medida paliativa, levando os cidadãos a uma subsidio-dependência, quando este tinha inicialmente pressupostos louváveis com vista à inserção na vida activa, através da formação e trabalho.

Conclusão
A sociedade tem vindo a sofrer significativas transformações. A família, núcleo primordial de educação, tem vindo dissimuladamente a delegar esse papel para a escola, dado que é no contexto educativo que as crianças passam a maior parte do dia. Todavia, nenhuma outra instituição poderá jamais substituir as condições educativas da família, nem parece ser razoável que seja unicamente a escola a ensinar valores tão necessários para o normal desenvolvimento da criança tais como: a democracia, as regras para a sã convivência, o respeito pelo outro, a solidariedade, a tolerância, o esforço pessoal, etc. À escola não se pode pedir que além de ensinar os conteúdos programáticos exigidos pelo Ministério da Educação, tenha também que ter a função educativa que compete aos pais. No meio de tudo isto, a verdade é que a violência continua a existir e a registar-se cada vez mais na população jovem. A escola não pode ignorar que os conflitos e problemas sociais existem, e por isso tem vindo a adaptar-se como pode. E é precisamente na escola que as crianças imitem comportamentos que diariamente observam. Meios onde proliferam os maus tratos físicos e psicológicos, onde as privações, a promiscuidade, a baixa escolarização, a pobreza andam de mãos dadas. Neste campo, urge uma intervenção conjunta realmente eficaz, fornecendo à população em risco modelos de conduta adequados ao desenvolvimento afectivo, intelectual e moral de todos os implicados. Nós, sociedade democrática, somos responsáveis pelas consequências educativas das nossas acções. Terá que haver um esforço financeiro governamental, não só económico mas também a nível de recursos humanos para que programas de combate à violência e exclusão social sejam realmente concretizados e obtenham bons resultados. Não podemos deixar que as crianças se transformem em futuros inadaptados ou futuros marginais, só porque não tiveram referências positivas na infância e porque as diversas entidades educativas se foram «esquecendo» que essas crianças também necessitam de carinho, de afecto, que também são seres humanos como todas as outras crianças.
Consciente de que este trabalho é insuficiente na abordagem desta temática, pois muito mais haveria a dizer, dado que o fenómeno da violência é muito amplo e surge em variadíssimos contextos, resta então cogitar que toda a sociedade se deveria mobilizar para proteger os cidadãos de amanhã, para que não tenham um futuro sombrio, enredados em sofrimento, privações e sem projetos de vida.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

pra descontrai parte I


UROLOGISTA OU ADVOGADO
O sujeito foi ao clinico geral, com o saco inchado.
O médico disse que era uma inflamação no testículo esquerdo, nada grave etc.etc., mas recomendou a procura de um ESPECIALISTA que iria indicar.
Quando ia dar o cartão de um colega UROLOGISTA, enganou-se e deu o cartão de um ADVOGADO.
O cara marcou hora e estava lá diante do ADVOGADO, achando que era o UROLOGISTA:
- Em que posso ajudar?
O sujeito abaixou as calças e mostrou:
- Como o senhor está vendo doutor, estou com uma inflamação no TESTÍCULO ESQUERDO !!!!
O advogado ficou olhando a cena, sem entender absolutamente nada, e disse:
- Meu amigo, a minha especialidade é o Direito.
E, o sujeito:
- Porra, vai ser ESPECIALISTA assim na puta que pariu!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

*mgs enviada ao meu e-mail por uma amiga!

quarta-feira, 30 de março de 2011

A palavra de ordem é PRESERVAR!

praia do Atalaia, vêm sofrendo com os abusos da interferência humana.Fotos Eduardo Brandão

por Ericka Pinto / março 2011

De acordo com Eduardo Brandão, a soma dos fatores naturais e antrópicos coloca em risco o futuro dessas praias. "A situação reflete dois fatores principais: por um lado, sabemos que as mudanças climáticas estão provocando a aceleração de algumas dinâmicas, tais como a ocupação das áreas de manguezal pelas areias das praias e o aumento da erosão. Por outro lado, a demanda apresentada para esses territórios vem agravando situações recorrentes em todas elas, como lixo, ocupações irregulares em área de risco, esgoto sem tratamento, conflitos fundiários, entre outros. Aliado a esses dois fatores, está a ineficácia da gestão pública", critica.

Em Algodoal, apesar da grande procura no período de férias escolares, ainda é possível observar maior conservação do ambiente natural. Eduardo Brandão, pesquisador do Laboratório de Avaliação e Medidas do Instituto de Ciências Exatas e Naturais (ICEN/UFPA), pós-graduado em Gestão Pública e Governo, faz uma previsão nada otimista afirmando que, em pouco tempo, o cenário será igual ao dos outros lugares.

Ajuruteua, aos poucos, caminha para o mesmo processo. Quase toda a extensão da praia é ocupada por barracas e a estrada que dá acesso ao local provocou o desaparecimento de grande parte do mangue, uma vez que a pavimentação impediu que a água das marés chegasse ao manguezal na região, transformando parte dos bosques de mangue em um cemitério verde.

A diferença entre esses lugares ainda está no processo de ocupação urbana, alguns com maior intensidade. É o caso de Salinas, onde os efeitos da interferência humana já são visíveis, como construções irregulares de hotéis, residências de veraneio e barracas, além de calçamento e pavimentação inadequados.

As praias do litoral paraense são um grande atrativo para quem busca fugir do estresse da vida urbana. Bastam algumas horas de viagem para contemplar a natureza. O destino? Você escolhe. Mosqueiro, Salinas, Alter do Chão, Ajuruteua e Algodoal costumam estar entre as praias mais procuradas pelos paraenses e turistas do Brasil e do exterior.

Projeto prevê a criação de política nacional de proteção
Para tentar reverter os efeitos negativos provocados por esses fatores (natural e antrópico), a Universidade Federal do Pará tornou-se parceira do Projeto Orla, uma iniciativa do Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão (MPOG) e do Ministério do Meio Ambiente (MMA). As ações do Projeto visam implementar uma política nacional elaborada de forma compartilhada, articulando ações de incentivo ao turismo e de proteção ao meio ambiente, por meio de planejamento do uso e da ocupação urbana da orla brasileira.

Inicialmente, o Projeto Orla foi planejado para atender as demandas da zona costeira marítima brasileira, a qual possui diferenças estruturais em relação às orlas flúvio-estuarinas da Região Norte. Assim, pesquisadores e técnicos da UFPA precisam discutir com os Ministérios do Planejamento e do Meio Ambiente a adaptação metodológica aos ambientes estuarinos e fluviais da Amazônia.

Para promover a revisão do protocolo metodológico, os pesquisadores da UFPA percorreram vários municípios, identificando os problemas ambientais existentes. Os encontros também contaram com a participação de representantes de vários órgãos governamentais (federal, estadual e municipal), de institutos de pesquisa e de organizações da sociedade civil.

Eduardo Brandão ressalta que é preciso um esforço conjunto de vários órgãos governamentais e não governamentais e da sociedade em geral, para colocar o projeto em prática, "precisamos evitar a perda do patrimônio público e privado existente no litoral, bem como o comprometimento da renda e das condições de sobrevivência daqueles grupos que sobrevivem dos recursos naturais e das dinâmicas, como o turismo".

Poços rasos deixam água imprópria para o consumo
Praias, rios, furos, igarapés, mangues e dunas são atrativos naturais do município de Salinópolis, um dos mais procurados durante o verão paraense e as festas de fim de ano. O cenário seria perfeito, não fosse a ocupação desordenada que já apresenta seus efeitos nocivos, como a contaminação das águas subterrâneas provocada por construções irregulares. O alerta é do professor Milton Matta, doutor em Hidrogeologia. Ele afirma que a água retirada dos poços construídos em residências, hotéis e pontos comerciais é imprópria para o consumo e representa uma bomba- -relógio para os órgãos de saúde.

Formado por rochas porosas e permeáveis, o aquífero serve como reservatório que abastece rios e poços artesianos e pode ser utilizado como fonte de água para consumo. Na região de Salinas, o aquífero superior está comprometido pelo processo de salinização das águas. Obras, como o calçamento da orla da praia do Maçarico e a construção de hotéis, estão contribuindo para esse processo. "Os aquíferos são abastecidos com a água da chuva e, como a área ficou impermeabilizada por essas construções, menos água vai entrar. Com menos infiltração de água doce, a cunha salina vai penetrando na água, e tornando-a salgada, imprópria para consumo", explica.

Outro problema apresentado por Milton Matta está na abertura desenfreada de poços artesianos, a maioria tem perfuração inferior à recomendada pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Pará (CREA-PA). São poços rasos, que usam o aquífero superior, comprometido pela salinização. Além disso, a profundidade fica vulnerável a fossas, lixo hospitalar, posto de gasolina, entre outras fontes potenciais de contaminação. "Vou apresentar denúncia ao Ministério Público do Estado, com a proposta de se criar uma lei municipal que proíba a construção de poço com profundidade inferior a 20 metros", diz o professor.

Orla: esgoto, lixo e pedras fazem parte da paisagem
De acordo com Milton Matta, três alunos de doutorado vão desenvolver pesquisas na costa nordeste do Estado para a elaboração de propostas de modificações quanto ao abastecimento de água - e a preservação das praias de Salinas. Para isso, os pesquisadores farão o levantamento da quantidade de água que está sendo retirada dos poços, o cadastro e a medição da vazão. A partir desse monitoramento, será possível estabelecer a vazão máxima e evitar que novos poços sejam abertos aleatoriamente. "O poço de um hotel, por exemplo, daria para abastecer um bairro. Mas todo mundo quer fazer seu poço particular. A permissão tinha que ser dada pela prefeitura ou por um órgão competente", critica.

Segundo o geólogo, para construir um poço, é necessário que ele tenha registro no CREA, por ser uma obra de Engenharia Hidrogeológica. "Essas obras não usam canos adequados, os que possuem filtros, e sim canos de PVC branco, furados à mão, os quais deixam passar água e contaminação", alerta. Outro problema ambiental, encontrado no município, é o esgoto a céu aberto dos banheiros das barracas. Construídas nas praias, as fossas irregulares contaminam o ambiente com o despejo de fezes e urina.

Mais pedra, menos areia – Não é só a contaminação das águas, o esgoto e o lixo que ameaçam as praias de Salinas. O aparecimento de pedras na areia é cada vez mais frequente e pode comprometer a beleza natural do lugar. "Há 15 anos, essas pedras não existiam ali, era só areia. O aporte de areia que está vindo para a praia é menor que a quantidade retirada", explica Milton Matta.

De acordo com o geólogo, a ação do homem está modificando a dinâmica marinha nesta área e, como consequência, a areia está dando lugar às rochas. Os pesquisadores ainda não sabem o que é causa geológica - resultado dos ciclos na dinâmica marinha - e o que realmente está relacionado à interferência humana no ambiente, como a ocupação de carros, barracas, hotéis e residências. A praia do Atalaia é o exemplo mais visível das mudanças no cenário natural de Salinas. Por ser a mais procurada pelos banhistas, poderá desaparecer em pouco tempo.

Aos poucos, outros lugares estão sendo ocupados pelo homem, como a praia da Corvina, onde já é possível observar a presença de barracas. "Mas não é só nessa região que temos esse problema. Ajuruteua e Algodoal, importantes do ponto de vista turístico, apresentam o mesmo processo de ocupação e interferência humana", diz Milton Matta.

fontes:
http://www.ufpa.br/beiradorio/novo/index.php/leia-tambem/123-edicao-92--marco/1178-ocupacoes-desordenadas-ameacam-praias-do-litoral-paraense

sexta-feira, 25 de março de 2011

o motivo da má educação no Brasil


Aula cronometrada
Com um método já aplicado em países de bom ensino,
o Brasil começa a investigar o dia a dia nas escolas.

por Roberta de Abreu Lima

Controle do tempo
Escola municipal no Rio de Janeiro: os cronômetros vão ajudar a entender as causas da evidente ineficácia na sala de aula.

As avaliações oficiais para medir o nível do ensino no Brasil têm se prestado bem ao propósito de lançar luz sobre os grandes problemas da educação – mas não fornecem resposta a uma questão básica, que se faz necessária diante da sucessão de resultados tão ruins: por que, afinal, as aulas não funcionam? Muito já se fala disso com base em impressões e teoria, mas só agora o dia a dia de escolas brasileiras começa a ser descortinado por meio de um rigoroso método científico, tal como ocorre em países de melhor ensino. Munidos de cronômetros, os especialistas se plantam no fundo da sala não apenas para observar, mas também para registrar, sistematicamente, como o tempo de aula é despendido. Tais profissionais, em geral das próprias redes de ensino, já percorreram 400 escolas públicas no país, entre Minas Gerais, Pernambuco e Rio de Janeiro. Em Minas, primeiro estado a adotar o método, em 2009, os cronômetros expuseram um fato espantoso: com aulas monótonas baseadas na velha lousa, um terço do tempo se esvai com a indisciplina e a desatenção dos alunos. Equivale a 56 dias inteiros perdidos num só ano letivo.

Já está provado que a investigação contínua sobre o que acontece na sala de aula guarda relação direta com o progresso acadêmico. Ocorre, antes de tudo, porque tal acompanhamento permite mapear as boas práticas, nas quais os professores devem se mirar – e ainda escancara os problemas sob uma ótica bastante realista. Resume a especialista Maria Helena Guimarães: "Monitorar a sala de aula é um avanço, à medida que ajuda a entender, na minúcia, as razões para a ineficácia". Não é de hoje que países da OCDE (organização que reúne os mais ricos) investem nessas incursões à escola. Os americanos chegam a filmar as aulas. O material é até submetido aos professores, que são confrontados com suas falhas e insucessos. Das visitas que fez a escolas nos Estados Unidos, o pedagogo Doug Lemov depreendeu algo que a breve experiência brasileira já sinaliza: "Os professores perdem tempo demais com assuntos irrelevantes e se revelam incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital".

Numa manifestação de flagrante corporativismo, os professores brasileiros chegaram a se insurgir contra a presença dos avaliadores dentro da sala de aula. Em Pernambuco, o sindicato rotulou a prática de "patrulhamento" e "repressão". Note-se que são os próprios professores que preferem passar ao largo daquilo que a experiência – e agora as pesquisas – prova ser crucial: conhecer a fundo a sala de aula. Treinados pelo Banco Mundial, os técnicos já se puseram a colher informações valiosas. Afirma a secretária de educação do Rio de Janeiro, Claudia Costin: "Pode-se dizer que o cruzamento das avaliações oficiais com um panorama tão detalhado da sala de aula revelará nossas fragilidades como nunca antes". Nesse sentido, os cronômetros são um necessário passo para o Brasil deixar a zona do mau ensino.

Abaixo, uma cópia da carta escrita por uma professora que trabalha no
Colégio Estadual Mesquita, à revista Veja.
Com a palavra, os professores!

Sou professora do Estado do Paraná e fiquei indignada com a reportagem da
jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”. É com grande
pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do mau
desempenho escolar com as VERDADEIRAS razões que geram este panorama
desalentador.

Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas para
diagnosticar as falhas da educação. Há necessidade de todos os que
pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção
de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa
sala de aula e observem a realidade brasileira

Que alunos são esses “repletos de estímulos” que muitas vezes não
têm o que comer em suas casas quanto mais inseridos na era digital? Em que
pais de famílias oriundas da pobreza trabalham tanto que não têm como
acompanhar os filhos em suas atividades escolares, e pior em orientá-los
para a vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e
destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente
são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras.

Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes
são impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela
sociedade e não somente pela escola.

Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde
pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível faltar
com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores e não cumprir
as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço
comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”.

Estímulos de quê? De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em
frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm),
brincando no Orkut, ou o que é ainda pior envolvidos nas drogas. Sem
disciplina seguem perdidos na vida. Realmente, nada está bom. Porque o que
essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e
disciplina.

Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos, há uns anos atrás de
estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria. Esperança
que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na
vida.

Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais. Para quê
o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos
brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de
somente brincar com os amigos, de ir aos piqueniques, subir em árvores?

E, nas aulas, havia respeito, amor pela pátria.. Cantávamos o hino
nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e sabíamos
ler, escrever e fazer contas com fluência.

Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar
pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação
para isso.

Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes,
trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura
em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução), levam alunos
à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais
corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta,
até a passeios interessantes, planejados minuciosamente, como ir ao Beto
Carrero.

E, mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom. Além
disso, esses mesmos professores “incapazes”, elaboram atividades
escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo
sem remuneração;

Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não é cronometrado
quando estão cansados. Professores têm 10 minutos de intervalo, quando
têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho.

Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem
que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe
40 h.semanais.

E a saúde? É a única profissão que conheço que embora apresente
atestado médico tem que repor as aulas. Plano de saúde? Muito precário

Há de se pensar, então, que são bem remunerados... Mera ilusão! Por
isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que
realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão
perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que
aguardam uma chance de “cair fora”.Todos devem ter vocação para Madre
Teresa de Calcutá, porque por mais que esforcem-se em ministrar boas
aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”,”puta”, “gordos
“, “velhos” entre outras coisas. Como isso é motivante e temos ainda
que ter forças para motivar.

Mas, ainda não é tão grave. Temos notícias, dia-a-dia, até de
agressões a professores por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos,
talvez agridam seus pais e familiares.

Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que
dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos
ultrapassa um certo limite.

E acho que esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos que não
merecem. Assim, nunca vão saber porque devem estudar e comportar-se na
sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de tantas chances, e com
indisciplina... E isso é um crime! Vão passando série após série, e
não sabem escrever nem fazer contas simples.

Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é
cruel e eles já são adultos.

Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros? Os
professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante é porque
há disciplina. E é isso que precisamos e não de cronômetros.

Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira mediante
cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados.
Portanto, a grande maioria dos professores está constantemente estudando e
aprimorando-se.

Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros,
materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de
nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior
quantidade.

Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem para
os alunos sentarem. E é essa a nossa realidade! E, precisamos, também,
urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não
seja destruído por ele mesmo

Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os
tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões (ô, coisa
arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!!!

Passou da hora de todos abrirem os olhos e fazerem algo para evitar uma
calamidade no país, futuramente.

Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de
banditismo, e finalmente, se os professores até agora não responderam a
todas as acusações de serem despreparados e “incapazes” de prender a
atenção do aluno com aulas motivadoras é porque não tiveram TEMPO.

Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas
sem as provas corrigidas.

Nelma Pimenta Cruz.
Profa. Ms. em Letras
Mestrado em Leitura e Cognição.

fonte:
http://veja.abril.com.br/230610/aula-cronometrada-p-122.shtml
Edição 2170 / 13 de junho de 2010

*esta última msg foi enviada ao meu e-mail por uma amiga, postei a reportagem da revista Veja para que o leitor tivesse um maior esclarecimento antes de ter qualquer opinião á favor ou contra de um dos dois texto. o Titulo resume meu pensamento, já que de um lado estão querendo saber o por quê? da má educação e/ou mal desepenho dos alunos nas escolas públicas no Brasil, e de outro lado está o desabafo de uma professora que fala em nome do coletivo de todos os professores que se sentiram ofendidos nseus métodos de ensino dentro das salas de aula. E como não sou de ficar em cima do muro por nada que acredito, concordo com o 2º texto, no sentido da imposição deste método para tentar descobrir o verdadeiro motivo para tal problema, quando este é tão óbvio.

terça-feira, 22 de março de 2011

Porque isso é viver!


_diário

Notas soltas de um diário sem apêndice
por Leonardo Dupin

O ano de 2010 tinha tudo para ser bom para o mineiro Leonardo Dupin. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa, ele encerraria sete anos de formação acadêmica com um mestrado em extensão rural no bolso. Completara 28 anos, morava sozinho, namorava e, seguindo o ciclo natural da evolução, tudo levaria a crer que se daria bem. Mas o ano passou e, aos poucos, ele foi perdendo coisas que lhe eram caras. No mês passado, por fim, ficou sem o apêndice. Da maca de um hospital público em Belo Horizonte, fez um balanço não cronológico dos últimos meses, e concluiu: 2010 foi um ano ruim

02 DE NOVEMBRO DE 2010, TERÇA-FEIRA, 0H30_Meus olhos começam a se acostumar com a luz do ambiente. Aos poucos os objetos e pessoas ganham forma. Sou o centro das atenções no meio de um grupo de desconhecidos. Não sei onde estou. Objetos metálicos e pontiagudos, aventais sujos de sangue, máscaras de pano, toucas de cabelo e uma parafernália eletrônica são toda a informação que começo a processar.
Três médicos estão mexendo dentro da minha barriga e a dor é insuportável. Um deles me manda ficar quieto por duas vezes. Giro meu braço num movimento de autodefesa e atrapalho o trabalho deles. Resmungo algumas palavras. Sou completamente ignorado. Aterrorizado, escuto o diálogo, antes de apagar novamente.
– Segura isso!
– Curioso... não estamos encontrando. Não estamos conseguindo achar.
– Vamos ter que aumentar o corte mais uma vez.
– A operação não está dando certo. Apaga o rapaz.

07 DE MARÇO, DOMINGO_Nesta semana será depositada a última mensalidade da minha bolsa de mestrado e tenho apenas um capítulo da dissertação pronto, do total de seis. Estou devolvendo o apartamento em que moro sozinho há dois anos e acabo de vender todos os meus móveis a preço de banana para um conhecido. Ignorei as reclamações da minha namorada e os conselhos dos amigos, mas percebo que não há outra escolha. Só assim conseguirei me manter financeiramente nos próximos meses.
Pensar nas razões do que muitos consideram atraso de vida não adianta. Também não faz bem. Preciso ser prático. Algo que nunca fui. O interessante é que sempre fui criticado por minha indecisão e agora que tento ser objetivo me condenam mais uma vez. Ora bolas...
Amanhã eu mudo para um quartinho que está sobrando em uma república estudantil no 1º andar desse mesmo prédio onde vivo. O aluguel será três vezes menor. O quarto é bem pequeno, mas não é escuro e acredito que poderei passar alguns meses e resolver provisoriamente meus problemas financeiros. É claro, desde que eu empilhe num canto o que sobrou das minhas coisas encaixotadas.
A mobília do meu novo quarto é composta de peças velhas, quase podres, algumas comidas por cupins. As paredes estão cobertas com traças e muito mofo. Espero não ter problemas alérgicos, nem problemas com os atuais moradores de lá.

02 DE NOVEMBRO, TERÇA-FEIRA, 0H_Primeiro minuto do Dia de Finados. Chove lá fora. “Não existe Dia de Finados sem chuva”, lembra um enfermeiro a alguém que não consigo ver. O teto envelhecido e sujo corre por meu campo de visão enquanto a maca, desviando dos pacientes encostados nas paredes, percorre os estreitos corredores do Hospital das Clínicas, em Belo Horizonte. Estou a caminho da sala de cirurgia.
Sou um socialista. Sempre defendi a saúde pública, gratuita e de qualidade, por mais que isso pareça deslocado da realidade brasileira. Nunca quis pagar ou aceitei que minha família pagasse um plano de saúde em meu nome. Penso que enquanto essas empresas faturarem anualmente bilhões de reais e tiverem um lobby forte no Congresso Nacional, esse bem básico para o desenvolvimento da nação nunca será o que idealizo. Optei pelo SUS, e pedi a minha família que respeitasse.

Há poucos minutos, o modo aleatório do MP3 Player selecionou o disco Funeral da banda canadense Arcade Fire. Uma combinação de muitos instrumentos (guitarra, bateria, baixo, mas também piano, violino, viola, violoncelo, xilofone, teclado, acordeom e harpa) em um rock’n’roll que fala sobre a morte de maneira sutil, nada pessimista.
O título do álbum foi escolhido devido ao falecimento de diversos familiares de integrantes da banda durante o período de gravação. A canção Rebellion (Lies) foi a última que escutei antes que o médico desse sinal positivo para o início da operação. Quando ela apareceu no visor pensei em apertar o botão stop ou mudar a faixa, mas não acredito em superstição. Nem em Deus. Um trecho da canção é emblemático: “As pessoas dizem que você vai morrer.”
É a primeira vez que necessito realmente do SUS nos meus 28 anos. Agora que o meu está na reta essa mistura de idealismo e medo não tem valor algum.

02 DE NOVEMBRO, TERÇA-FEIRA, 7H_Passei a noite no hospital delirando. Estrebuchei com a pior dor que já senti na vida. Como me relatou o médico, a equipe que me operou teve que ser substituída durante a operação por uma mais experiente. Era o caso mais complicado de apendicite que eles já haviam presenciado. Segundo disseram, todos os meus órgãos do abdômen estavam fora do lugar e não foi nada fácil achar o apêndice, que estava colado ao fígado.
Ser esquisito sempre me trouxe problemas, porém, dessa vez foi pior, pois o corte foi longo e tiveram que mexer em muitos órgãos e isso provavelmente acentua minha sensação de dor na cama desta enfermaria. A operação que deveria durar quinze minutos prolongou-se por quase duas horas.
O certo é que a dor que eu sinto é parecida com a dor que os homens sentem quando tomam um chute no saco, só que acentuada e constante. Em delírio e sob efeito da anestesia da barriga para baixo, achei em vários momentos que trocaram o prognóstico e arrancaram meu escroto. Cheguei a pensar que levaria uma vida de menininha, tendo que recorrer ao prazer anal. Na dúvida, levava a cada vinte minutos a mão até o meio das pernas para conferir se estava tudo lá.

10 DE MAIO_Tenho pouco mais de um mês para entregar a dissertação e me falta concentração e disciplina. A pressão é grande, já me avisaram que não vou poder adiar o prazo e a relação com minha orientadora não é das melhores. Meu padrão de vida caiu absurdamente e minha namorada me deixou. Em breve irá para Rennes, na França, preparar o doutorado dela durante um ano.
As contas voltam a me preocupar e prevejo que vou chegar ao fim do semestre com o título de mestre, mas com muitas dívidas, planos afetivos estraçalhados e as amizades enfraquecidas, pois abandonei qualquer tipo de vida social.

23 DE MAIO_Para ajudar a pagar as contas tenho trabalhado como fotógrafo. Ano passado encomendei uma câmera fotográfica modelo Nikon D90 (além de um flash SB-900). Quem trouxe foi meu irmão, que chegou do Japão. Paguei o equipamento economizando parte dos 1 200 reais que ganhava com a bolsa de mestrado e também com o trabalho de consultoria em licenciamento ambiental.
Casamentos, formaturas, festas de criança e bailes de debutantes ocupam meus finais de semana. Algumas empresas de Viçosa me pagam em torno de 100 reais por evento. É uma exploração da minha mais-valia, pois eles nunca cobram menos de 1 000 reais de quem promove esses eventos, mesmo que os clientes sejam pobres, como geralmente são.
Viçosa é uma cidade universitária localizada na Zona da Mata mineira. A população é de cerca de 80 mil habitantes, sendo que pelo menos 30% é flutuante. Não existem grandes e nem médias indústrias no município. Quem ganha dinheiro são as poucas famílias que detêm a prestação de serviços para os estudantes. Com a ampliação do número de vagas na Universidade Federal de Viçosa, o preço do aluguel disparou e o custo de vida na cidade subiu.
Não há muitos lugares bonitos por aqui, exceto a Universidade Federal. É geralmente nela, especificamente em frente ao prédio da reitoria – um casarão de dois andares, bem conservado, em estilo colonial –, que os noivos gostam de fazer suas fotos. Há três anos, antes de me formar, eu era frequentador de manifestações estudantis no local. Cheguei a ocupar (não gosto da expressão “invadir”) a reitoria algumas vezes. Agora isso parece distante.
Hoje fiz uma longa sessão fotográfica no gramado usando a reitoria como cenário. A noiva, uma negra, que devia pesar aproximadamente 120 quilos, usava um vestido branco com um longo véu, gerando forte contraste. Pedi aos noivos que assumissem várias poses: abraçados, ele ajoelhado aos pés dela, apoiados na fachada da reitoria, deitados na grama etc. Um espetáculo para a plateia catedrática que circula pelo local.

30 DE JUNHO_Defendi ontem minha dissertação de mestrado. Não foi o fracasso que previ há alguns meses, mas também não há motivo para comemoração, apenas alívio. A saber, realizei um estudo antropológico, enfocando política e violência no sertão pernambucano.
Nesse momento me encontro num ônibus rumo ao Rio de Janeiro onde trabalharei por algumas semanas para uma empresa carioca de consultoria em licenciamento ambiental. Consultoria e licenciamento ambiental são nomes bonitos para duas coisas escrotas. O primeiro está na ordem da precarização das relações de trabalho. Eles te pagam uma grana para fazer um serviço, mas não te oferecem direito algum. Terminado o serviço, que é de curta duração, você está novamente desempregado. Já o segundo nome significa uma empresa gastar pouco para conseguir a liberação da obra pelo estado, mesmo que para isso almas tenham que ser vendidas. Nesse contexto existe uma luta entre atingidos versus empreendedores (mais um nome bonito para outra coisa escrota) e você é pago pelo segundo grupo.
Meu serviço será visitar donos de propriedades que serão cortadas por uma linha de transmissão (LT) de 345 quilovolts. Eles geralmente estão insatisfeitos. A empresa diz que a linha não incomoda muito, apenas faz um zumbido que se acentua em dias de chuva. Pode também provocar interferência na tevê e no rádio, além de um leve choque em quem estiver trabalhando dentro da chamada faixa de servidão, mas isso só se o solo e a vegetação estiverem úmidos. Às pessoas que usam marca-passo, é recomendado ficarem distantes.
Contudo, os problemas giram geralmente em torno da indenização paga pela empresa, que costuma ser proporcional ao grau de instrução da pessoa. Quanto maior a possibilidade de que ela recorra à Justiça, mais alto será o valor que receberá. Definitivamente, não é um trabalho que me agrade, mas preciso pagar minhas contas.

02 DE NOVEMBRO, TERÇA-FEIRA, 22H_No final da tarde fui avisado pelo médico que seria transferido para uma enfermaria “um pouco pior” do que aquela em que fiquei alojado depois da operação. Não vou me alongar sobre o local em que passarei minha segunda noite neste hospital, pois estou sem paciência e esse relato já me é muito doloroso. Apenas alguns detalhes sobre a nova vizinhança, que não é tão pacífica quanto a anterior.
Meu novo vizinho da esquerda agora é um senhor gordo e negro que passou por um derrame e fica deitado o tempo todo de barriga para cima olhando para o teto. Após o trauma, o lado direito do seu corpo parou de funcionar e, pelo que parece, o intestino deve ficar desse lado, pois ele está o tempo inteiro cagado e o cheiro não é nada agradável.
O vizinho da direita tem paralisia e, quando não está sedado, urra em altos decibéis palavras pouco polidas. Suas pernas são atrofiadas, por isso não pode se levantar. Um dos braços também é assim, um olho é arregalado e não fecha nunca. O outro parece normal. Acho que ele não gosta de mim. Em um de seus acessos de fúria jogou bem longe meu jantar, que estava sobre a mesinha de cabeceira, e depois soltou um som tribal feliz para a enfermeira. Faz quatro dias que não como uma refeição verdadeira e ainda assim estou sem fome.

23 DE AGOSTO_Eu queria ser jornalista, mas, como não entrei no mercado de trabalho, devo tentar o doutorado em ciências sociais.
Acabo de chegar de uma série de mais de 400 visitas a proprietários de terra no Nordeste do país. Em vinte dias percorri 4 200 quilômetros, que abrangem dezoito municípios em três estados diferentes (Tocantins, Maranhão e Piauí). É verão no sertão nordestino e não chove há muitos meses. Enfrentei um calor medonho, cerca de 40 graus à sombra, com direito a diarreia e uma ligeira parada num posto de saúde. À trepidação do carro, que pula feito um cabrito nas péssimas estradas, soma-se a poeira que impregna na pele. Com o passar do tempo, é inevitável sentir vontade de vomitar.
O serviço que realizo é intenso, porém não exige grande reflexão, nem cuidados pessoais. Apenas entregar papel e anotar reclamações. Os pequenos proprietários geralmente aceitam as obras sem reclamar, já os latifundiários são pedantes e costumam descontar sua fúria em nós, consultores. Em todo esse período, não aparei uma única vez a barba, e meus cabelos completam três meses sem corte. Minhas roupas estão todas emboladas e sujas dentro da mochila e no meu único par de tênis já não cabem mais terra ou buracos.
A propósito, fui obrigado a me desfazer do quarto na república do 1º andar e agora voltarei a morar com minha mãe em Belo Horizonte, depois de oito anos longe de casa. Mas, antes disso, estourei 250 reais no cheque especial. A dívida é motivada pelo atraso no pagamento de 4 mil reais do último serviço que fiz. O carro, que deixei na casa do meu pai, foi vendido e ele ainda não me repassou o dinheiro. O velho optou por fazer o negócio sem falar comigo, uma vez que estava no nome dele. Argumentou que o veículo estava parado e disse que tentou me ligar, mas sem crédito o celular não recebe chamadas em outros estados.

03 DE NOVEMBRO, QUARTA-FEIRA, 10H30_A enfermaria foi aos poucos se enchendo de estudantes e professores dos cursos de medicina e enfermagem. Para quem não conhece, o Hospital das Clínicas pertence à Universidade Federal de Minas Gerais e é utilizado como hospital-escola. Aqui dentro você descobre o quanto essa situação pode ser bizarra. Os alunos querem aprender e nós somos a vitrine de carne, osso, gordura e sangue. Com seus estetoscópios e suas pranchetas, eles param em volta das camas, fazendo pequenos círculos, iniciam uma série de perguntas e realizam exames e mais exames, anotados detalhadamente.
A vontade, o cansaço e o constrangimento dos pacientes que estão seminus – alguns estão somente de fralda – não conta muito diante do desenvolvimento da ciência médica. Felizmente eles não se interessaram muito por mim, há espécies mais exóticas no local e, ao que parece, a máxima do “quanto pior melhor” vale no recinto. Apenas me cobri com um lençol e desejei que o tempo passasse rapidamente.
O vaivém permaneceu por umas duas horas até que, de repente, como num passe de mágica, a sala se esvaziou e só sobraram os pacientes. Aliás, os pacientes e o pessoal da limpeza, que espalhava um produto chamado Lysoform pelo local. Nunca estive em uma guerra química, provavelmente por isso nunca vi nada parecido. O Lysoform é um desinfetante utilizado em hospitais – mas desconfio que tenha sido desenvolvido pelos militares norte-americanos para matar os vietcongues. De cheiro fortíssimo, é capaz de deixar o nariz, os olhos e a boca ardendo, fazendo qualquer um ver estrelas. Ignorei as dores, a barriga costurada e saí manquitolando com o postezinho de soro em direção ao corredor. Tive saudade do cheiro de merda do meu vizinho da esquerda. Pobre daqueles que foram obrigados a ficar.

03 DE NOVEMBRO, QUARTA-FEIRA, 19H_Descobri que sou claustrofóbico, agora que posso andar, ou melhor, mancar. Não consigo mais permanecer uns míseros minutos dentro da enfermaria. Tirei o pijama hospitalar e coloquei a roupa que minha mãe deixou por aqui. Percebi que a hierarquia dentro do hospital se dá pelo vestuário e, talvez, vestir uma cueca e uma calça me empreste um pouco mais de respeito.
Os médicos utilizam o branco na calça e na blusa. As enfermeiras-chefes vestem o jaleco dessa mesma cor e as enfermeiras menos graduadas usam um pijama verde com bolinhas escuras. O pessoal da limpeza tem um uniforme próprio. Abaixo na hierarquia estamos nós, pacientes, com a fardagem larga e puída, cobrindo a total ausência de roupas íntimas.
São 19 horas e o médico prometeu que eu teria alta após o almoço, mas ainda nem sinal dele. As enfermeiras todas dizem que ele está na sala de cirurgia, mas esse deve ser o combinado dentro do hospital para evitar que pacientes, chatos como eu, o atormentem. O jeito é esperar, sentado no corredor.

02 DE OUTUBRO_Resolvi passar um final de semana fora e perdi o quarto no apartamento da minha mãe. Meu irmão mais velho, que morava fora do país, chegou de viagem e ocupou o espaço, tirando minhas coisas que estavam no armário. Ele é engenheiro de uma multinacional e tem um apartamento em um bairro nobre da cidade, mas está alugado. Em poucas palavras me disse que quer economizar e me sugeriu fazer o mesmo.
Faz cinco dias que estou dormindo no sofá da sala e o assunto virou um tabu no apartamento. Todos fingem que nada aconteceu, inclusive eu. A minha coluna não é o meu maior problema, perto do meu irmão. Ele tem certa compulsão por organização e limpeza e minhas coisas, espalhadas por todos os cantos do apartamento, começam a incomodá-lo. Pela manhã me fez uma longa propaganda de um boxe que ele alugou. Em uma bela explanação, falou da organização e da praticidade do espaço, que deve ficar do outro lado de Belo Horizonte, e sugeriu que eu levasse parte das minhas coisas para lá.
Não encarei o fato bem e resolvi deixar o apartamento. Segui, com toda minha bagagem, para a casa do meu pai. Ele estava com pressa e não perguntou sobre minha visita ou mesmo sobre minha bagagem. Apenas me entregou um molho enorme de chaves e disse que não voltava hoje.
Saí para comer alguma coisa e, ao retornar e enfiar a chave, a fechadura quebrou. Faz quatro horas que estou trancado do lado de fora do portão, com apenas seis reais na carteira e sem conhecer nada ou ninguém nesse bairro. O número do celular do meu pai eu perdi quando meu aparelho foi roubado na última semana.

04 DE OUTUBRO_Em menos de 48 horas é a segunda vez que fico trancado do lado de fora. Permaneci por pouco mais de um dia na casa do meu pai e vim para um novo trabalho de licenciamento no Rio de Janeiro. Passei a noite toda tentando inutilmente dormir dentro do ônibus e, finalmente, cheguei ao apartamento de um amigo, onde combinei de me hospedar por alguns dias. Ele mora sozinho no bairro da Lapa e, apesar de eu ter ligado na noite anterior, ele bebeu todas e se esqueceu de mim.
Pelo celular emprestado que consegui, descobri que ele havia acabado de acordar na Barra da Tijuca e que iria demorar um pouco até atravessar de ônibus toda a Zona Sul do Rio em um dia de trânsito intenso.
Após algumas horas de espera, no exato momento em que finalmente entrei no apartamento do meu amigo, recebi um telefonema da empresa dizendo que o trabalho foi adiado por aproximadamente trinta dias. Dessa forma, com o rabo entre as pernas, vou-me embora do Rio hoje mesmo. Porém, me pergunto, para onde?

09 DE OUTUBRO_Voltei a morar em Viçosa na mesma república estudantil do 1º andar, com os mesmos carinhas estranhos. Recebi o dinheiro de alguns trabalhos anteriores e isso me tranquilizou. Hoje pela manhã acordei com um companheiro de república soltando a voz no violão. O problema é que ele não tem talento algum. Mas ele insiste.
O som de Alvarenga e Ranchinho faz coro para minha ressaca. Continuei deitado numa tentativa de sofrer menos. A cada cochilo que eu dava ele subia o tom. Era ele e um acompanhante, que fazia a segunda voz também de maneira medonha. A dupla continuou por quarenta minutos até minha bexiga encher. Fui ao banheiro, fiz xixi com a porta aberta e depois segui até o quarto dele. Estava sozinho. Soltei alguns palavrões e comentei: “Você canta mal, mas esse cara que estava aqui com você consegue cantar pior.”
Tive a surpresa do ano. Todo aquele ruído foi produzido por apenas uma voz e um violão. Aliás, duas. Com a ajuda de um programa de computador, ele havia gravado a segunda voz que tocava simultaneamente enquanto gravava a primeira, quer dizer, ele fazia uma dupla sertaneja com ele mesmo. Ser esquisito tem limite. Penso em me mudar novamente.

30 DE OUTUBRO_Encerrei um trabalho de pouco mais de uma semana no Rio de Janeiro. Me despedi da minha companheira de trabalho no aeroporto Santos Dumont e segui rumo ao bairro da Glória. No caminho comecei a sentir algumas fincadas na barriga, nada que preocupasse, pois já me acostumei a trabalhar viajando e a me alimentar na beira de estradas, porém elas aumentaram muito e nessa mesma noite procurei uma Unidade de Pronto Atendimento em Botafogo.
Lá a médica me pediu alguns exames, realizados na hora, mas não identificou meu problema, apenas me receitou uma caixa de Buscopan e recomendou que, se as dores continuassem, eu deveria procurar um hospital público no Rio. Como as dores não passaram, amanhã à noite pegarei um voo (com preço promocional) para Belo Horizonte, onde mora minha família. Imagino que um hospital público na Cidade Maravilhosa pode não ser tão maravilhoso.

31 DE OUTUBRO_Um primo distante é um dos comissários de voo do avião. Eu o encontrei por acaso ao subir na aeronave. Não sabia que ele trabalhava numa companhia aérea e não me lembro nem mesmo do nome dele. Me chamou de primo e depois pelo meu primeiro nome; retribuí o primo. Após a decolagem ele veio até minha poltrona e perguntou se eu estava com medo. Respondi que não. Desde então, decidi conter minhas caretas, mesmo que as dores aumentassem.
Quando saí do apartamento da minha mãe, há menos de um mês, prometi que este ano não voltaria para lá. Engulo a seco o orgulho e volto, provisoriamente. Espero que a hospedagem seja de um ou dois dias no máximo, apenas o tempo necessário para fazer uns exames e descobrir a origem da dor. A ideia de voltar a dormir no sofá da sala não me agrada nem um pouco.

1º DE NOVEMBRO, SEGUNDA-FEIRA, DAS 17H ÀS 19H_As dores na barriga continuam. Minha mãe marcou uma consulta particular em uma clínica especializada em gastroenterologia. Relutei um pouco, mas decidi aceitar. Coloquei os gastos no papel e ela disse que me ajudaria. No consultório, uma senhora de pele alva, óculos de aros grossos e postura autoritária me fez contar profundamente toda minha vida nos últimos anos.
Na primeira meia hora de consulta eu me mostrei equilibrado e fiz um claro e pausado relato, tentando me mostrar superior. Na segunda parte, me desequilibrei, não contive as lágrimas e embolei toda a narrativa. Acho que ela queria achar um fundo psicológico para uma possível gastrite, o que não foi difícil. Porém, terminada a sessão, ela não me deu um diagnóstico preciso e apenas pediu mais exames.
Estou indo agora para um hospital público com a esperança de conseguir ser atendido em véspera de feriado. Tentarei em um ou dois hospitais. Se não conseguir, volto para Viçosa e tento atendimento lá.

02 DE NOVEMBRO, TERÇA-FEIRA, 07H30_Amanheceu e eu não dormi nada. Às seis horas da manhã um rádio começou a tocar antigas baladas sertanejas em alto volume e eu finalmente conheci minha vizinhança. Não são muitas pessoas, apenas meia dúzia de pacientes que devem estar aqui há vários dias e também estrebuchavam, fazendo meu problema parecer bem pequeno. Uma enfermeira entrou no quatro e reclamou:

– Que boate é essa, seu Joaquim? Abaixa esse volume!
O seu Joaquim, um senhor de idade bem avançada, fica na minha frente, do outro lado da sala, próximo à porta. Ao seu lado esquerdo, na diagonal direita da minha cama, há um jovem magro e com dentes amarelos que se coça o tempo inteiro, com quem me preocupei apenas por alguns instantes, até conhecer meu vizinho de cama.

À minha direita há um senhor também magro e sem camisa, com um aparelho de sucção que entra por dentro da sua traqueia, fazendo um barulho medonho. Ao que me parece ele está com pneumonia, eu não sei se há risco de contágio. Há poucos dias ouvi falar de uma superbactéria – Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) – que tem matado gente nos hospitais brasileiros. Pensando nela ou em qualquer outra possibilidade de infecção hospitalar, um pouco da minha dor se transforma em medo, o que é bom porque a torna mais suportável.

08 DE NOVEMBRO_Estou de volta ao sofá da casa da minha mãe. O médico prescreveu milhões de remédios para eu tomar e isso tem me dado tonteira e enjoos constantes. Cada trecho escrito é precedido por uma forte náusea, por isso vou encerrar este diário por aqui.

No sábado tossi algumas vezes na frente da minha mãe e bastou para ser dado o alerta vermelho aqui em casa. Ela tirou minha temperatura, queria acrescentar alguns remédios aos já prescritos pelo médico e quase chorou ao pensar que pudesse se tratar de uma infecção hospitalar.

Desde que saí do hospital não tenho dormido bem. As últimas duas noites acordei no meio da madrugada com o vento frio da janela, tendo a sensação de que uma figura mitológica de capa preta, montada num cavalo de três pernas e segurando uma foice está me chamando para dar uma voltinha na enfermaria. Enfim, nada que me assuste nesse incomum 2010.

15 DE NOVEMBRO_Daqui a algumas horas voltarei ao Hospital das Clínicas para retirar os pontos que tanto coçam na minha barriga. A cicatriz e este diário serão as únicas marcas desse período de internação. Será estranho rever a enfermaria e temo pelo tempo de atendimento, que pode se prolongar por algumas horas.
A carta de crédito da pessoa a quem meu pai vendeu o carro não foi aprovada. Com isso, recuperei o automóvel. Tento acreditar que as coisas estão melhorando, mas efetivamente ainda não aconteceu nada que me prove isso. O carro, por exemplo, voltou cheio de novos defeitos e vou gastar uma grana alta para consertá-lo. Tive que trocar os quatro pneus, dois amortecedores traseiros e um monte de outras peças que não faço ideia do nome, mas sei bem que o valor é alto.

Amanhã, se tudo der certo com a retirada dos pontos e com o carro, volto nele para Viçosa.

http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-51
http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-51/diario/notas-soltas-de-um-diario-sem-apendice

obs: Li este texto na revista Piauí edição 51 de 2010, que chega aqui no meu trabalho!apesar de ser uma edição do ano passado, gostei mt e o texto que posto aqui, é bem real percebe-se pela descrição dos fatos que é interessantes e cômicos. Além disso é uma ótima revista!parabéns aos organizadores da mesma.

Águaaaaaaaa! Até quando?!


Dia mundial da água: o pior desperdício é aquele que você não vê
Indicador da pegada hídrica calcula o uso direto e indireto da água para produzir bens de consumo. Os números impressionam.

O Dia Mundial da Água, que acontece nesta terça-feira (22), é um data para conscientizar o mundo do consumo excessivo e desperdício do líquido, que é essencial à vida. Mas não é suficiente contabilizar apenas água do banho, descarga, copos d’água ou o quanto de louça foi lavado. É preciso incluir nessa conta o uso direto e indireto da água na produção de alimentos e bens de consumo.

Para chegar a estes números, o cientista holandês Arjen Hoekstra criou a Pegada Hídrica, indicador que mede o uso direto e indireto da água doce para se obter um produto alimentício ou qualquer outro bem consumível. Para calcular o quanto de água é usado entra na conta a quantidade de água usada – ou poluída – durante todo o processo da cadeia produtivo de um alimento ou bem de consumo, é a chamada “água virtual”. É levado em conta também o local onde ocorreu a produção. Uma área onde tem água em abundância é muito diferente da que está numa região mais seca.

Para comer uma maçã, em média foram gastos 70 litros de água. Um copo (250 ml) de cerveja, 75 litros. Uma xícara de café, 140 litros e um quilo de carne, 15.500 litros de água. E é possível calcular também o uso de água em produtos que compramos como roupas, por exemplo. Uma camisa de algodão exige 2.700 litros de água.

Os números são altos porque contam quanto de água foi necessário para se obter um produto. A conta do café inclui não só a parte de água quente que é adicionada ao café, mas também o quanto de água foi necessário na plantação do produto, assim como em toda sua cadeia produtiva.

De acordo com a Water Footprint Foundation, a média global para a Pegada Hídrica de uma pessoa é de 1.243 litros de água por ano. Nos Estados Unidos, isso chega a 2.483 litros por ano; na Alemanha, 1545 l, no Brasil, 1.381 litros, e na China, é de 702 litros.

A Pegada Hídrica pode ser Verde, quando a água da chuva evapora ou é incorporada em um produto durante a sua produção; Azul, que calcula as águas superficiais ou subterrâneas que evaporam ou são incorporadas em produtos, ou então devolvidas ao mar ou lançadas em outra bacia; e Cinza, que mede o volume de água necessário para diluir a poluição gerada durante o processo produtivo.

Dia da água
Neste ano, o objetivo do dia que tem como tema "Água para as Cidades", é para chamar a atenção internacional sobre o impacto no abastecimento de água de fatores como o crescimento rápido da população urbana, a industrialização, conflitos, desastres naturais e as incertezas causadas pela mudança climática.

De acordo com a ONU, em poucos anos, 60% da população mundial estará vivendo nas cidades, aumentando principalmente a densidade demográfica de bairros pobres da cidade e de assentamentos precários do mundo em desenvolvimento.

Água potável é um bem raro na maioria dos países
No dia mundial da água, veja imagens sobre a disparidade do acesso à água potável em várias partes do mundo

O acesso à água potável ainda é um desafio diário para grande parte das populações do mundo.
Compiladas pela BBC para o Dia Mundial da Água, nesta terça-feira, imagens mostram as diferenças entre países em que água é um bem facilmente acessível e outros em que conseguir o recurso é uma tarefa arriscada e difícil.

Apesar das inúmeras fontes naturais de água no mundo - rios e lagos, em geleiras e aquíferos, chuva e neve - a quantidade de água que diferentes países conseguem extrair para fornecer a seus cidadãos varia bastante.

Um estudo da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) identificou países em que a demanda por água excede a oferta natural do recurso. Segundo a organização, os países onde isso acontece fazem maior pressão sobre as fontes de água doce.

No topo da lista dos que mais utilizam o recurso está a península árabe, onde a demanda por água doce excede em 500% a disponibilidade na região.

Isso significa custos adicionais para que a água seja trazida de fora - por caminhões pipa ou aquedutos, ou através da dessalinização.

Países como o Paquistão, o Uzbequistão e o Tadjiquistão também estão muito próximos de utilizar 100% de sua oferta de água doce, assim como o Irã, que usa 70% de seus recursos hídricos.

De acordo com os dados da FAO, o norte da África é outra área sob pressão, em que a Líbia e o Egito particularmente são afetados. A região possui somente metade da água doce que os países consomem.

Mas, a maior pressão sobre as fontes de água doce não está necessariamente nos lugares mais secos, mas nas regiões com o maior percentual da população global.

O sul da Ásia, por exemplo, consome quase 57% de sua água doce, mas abriga quase um terço da população mundial.
Situação que alterem a distribuição de água nessa região - causadas por mudanças climáticas, pelo aumento do número de terras irrigadas ou pelo aumento do uso geral de água, ameaçam a vida de bilhões.

No leste da Ásia o consumo proporcional é menor - os países da região usam em média apenas 20% das suas reservas hídricas. No entanto, um terço da população do mundo vive ali.

O Brasil consome 0,72% da sua água doce renovável ou 331,48 metros cúbicos por habitante a cada ano, segundo a FAO. No entanto, 0,4% são exclusivos para a agricultura.


http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/dia+mundial+da+agua+o+pior+desperdicio+e+aquele+que+voce+nao+ve/n1238184824170

http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/agua+potavel+e+um+bem+raro+na+maioria+dos+paises/n1238184474157.html

quinta-feira, 17 de março de 2011

escreva um poema antes de casaaar!


O noivo escreveu um poema pra noiva um pouco antes do casamento.

Que feliz sou eu, meu amor!.*
Já, já estaremos casados.*
O café da manhã na cama.*
Um bom suco e um pão torrado.*
Com ovos bem mexidinhos.*
Tudo pronto bem cedinho.*
Depois irei para o trabalho.*
E você para o mercado.*
Daí você corre pra casa.*
Rapidinho arruma tudo.*
E corre pro seu trabalho.*
Para começar o seu turno.*
Você sabe que de noite.*
Gosto de jantar bem cedo.*
De ver você bem bonita.*
Alegre e sorridente.*
Pela noite minisséries.*
Cineminha bem barato.*
Nada, nada de shoppings.*
Nem de restaurantes caros.*
Você vai cozinhar pra mim.*
Comidinhas bem caseiras.*
Pois não sou dessas pessoas.*
Que gosta de comer besteiras....*
Você não acha, querida.*
Que esses dias serão gloriosos?.*
Não se esqueça, meu amor.*
Que logo seremos esposos!.*

Como resposta, a noiva escreveu um poema para o noivo

Que sincero meu amor!.*
Que oportunas tuas palavras!.*
Esperas tanto de mim.*
Que me sinto intimidada.*
Não sei fazer ovo mexido.*
Como sua mãe adorada.*
Meu pão torrado se queima.*
De cozinha não sei nada!.*
Gosto muito de dormir.*
Até tarde, relaxada.*
Ir ao shopping fazer compras.*
Com o Visa tarja dourada.*
Sair com minhas amigas.*
Comprar só roupa de marca.*
Sapatos só exclusivos.*
E as lingeries mais caras.*
Pense bem, que ainda há tempo.*
A igreja não está paga.*
Eu devolvo meu vestido.*
E você seu terno de gala.*
E domingo bem cedinho.*
Prá começar a semana.*
Ponha aviso num jornal.*

Com letras bem destacadas:
HOMEM JOVEM E BONITO.*
PROCURA ESCRAVA BEM LERDA.*
PORQUE SUA EX-FUTURA ESPOSA.*
MANDOU ELE IR À MERDA!.*

Obs: Olha que sou (amigada e/ou casada/ou emancebada/ e tudo que defina uma relação estável com outra pessoa a 4 anos e 6 meses, mas concordo plenamente com este poema da noivakkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

*msg enviada por uma amiga ao meu e-mail*

quarta-feira, 16 de março de 2011

35 GrAnDeS mEnTiRaS



1) ADVOGADO: - Esse processo é rápido.
2) AMBULANTE: - Qualquer coisa, volta aqui que a gente troca.
3) ANFITRIÃO: - Já vai? Ainda é cedo!
4) ANIVERSARIANTE: - Presente? Sua presença é o mais importante..
5) BÊBADO: - Sei perfeitamente o que estou dizendo.
6) CASAL SEM FILHOS: - Visite-nos sempre; adoramos suas crianças.
7) CORRETOR DE IMÓVEIS: - Em 6 meses colocarão: água, luz e telefone.
8) DELEGADO: - Tomaremos providências.
9) DENTISTA: - Não vai doer nada.
10) DESILUDIDA: - Não quero mais saber de homem.
11) DEVEDOR: - Amanhã, sem falta!
12) ENCANADOR: - É muita pressão que vem da rua.
13) FILHA DE 17 ANOS: - Dormi na casa de uma colega.
14) FILHO DE 18 ANOS: - Antes das 11 estarei de volta.
15) GERENTE DE BANCO: - Trabalhamos com as taxas mais baixas do mercado.
16) INIMIGO DO MORTO: - Era um bom sujeito.
17) JOGADOR DE FUTEBOL: - Vamos continuar trabalhando e forte.
18) LADRÃO: - Isso aqui foi um homem que me deu.
19) MECÂNICO: - É o carburador.
20) MUAMBEIRO: - Tem garantia de fábrica.
21) NAMORADA: - Pra dizer a verdade..nunca fui beijada antes..
22) NAMORADO: - Você foi a única mulher que eu realmente amei..
23) NOIVO: - Casaremos o mais breve possível!
24) TAGARELA: - Só duas palavrinhas..
25) POBRE: - Se eu fosse milionário espalhava dinheiro pra todo mundo.
26) RECÉM-CASADO: - Até que a morte nos separe.
27) SAPATEIRO: - Depois alarga no pé.
28) SOGRA: - Em briga de marido e mulher não me meto.
29) VAGABUNDO: - Há 3 anos que procuro trabalho mas não acho.
30) VICIADO: - Essa vai ser a última.
31) POLÍTICO:-Tenho dedicado a minha vida ao trabalho para a comunidade.
32) TAXISTA: - Por aqui é mais perto.
33) PEDREIRO: -Até no final do mês estará pronto.
34) EU: Este é o último e-mail que repasso.
35) VOCÊ: Que isso,... eu adoro seus e-mails!

* msg recebida no meu e-mail.